quinta-feira, 13 de abril de 2023
Relato do parto da Isaura (III - o nascimento)
segunda-feira, 10 de abril de 2023
Processo da Bioconstrução A Casa Criana - Em busca de um Bio Arquiteto
Assim que soubemos que era viável e executável a nossa ideia de construir com materiais locais e sustentáveis, passamos para a etapa seguinte: Encontrar um bio arquiteto
Na altura, já não me recordo como, mas muito possivelmente atraves das nossas pesquisas, encontramos o livro "Manual do Arquitecto Descalço" que nos ajudou a mudar a nossa visão sobre a construção com Terra. Nele, o seu autor Sr. Johan Van Lenger descreve a Bio arquitectura de uma forma muito sucinta: A Bio arquitectura, “Trata-se de um novo conceito que surgiu há algumas décadas como objetivo de de unir ecologia, arquitetura e urbanismo rumo a uma maior sustentabilidade ecológica”.”...procura integrar o homem no seu meio, respeitando e explorando a natureza em toda a sua plenitude e riqueza, ensinando técnicas que ajudam a melhorar a vida, transformando cada homem no “arquiteto” da sua habitação” “..um modo mais digno de habitar o mundo.”
A internet foi o meio de busca por um bio arquitecto, na altura ainda não tínhamos a rede de contacto que temos hoje, penso que nos teria facilitado. Elaborei uma lista de emails dos possíveis arquitectos que encontrei.
Redigi um email com o resumo do que pretendíamos e aguardei a resposta.
terça-feira, 21 de março de 2023
Processo da Bioconstrução A Casa Criana - Etapa seguinte: obter informações da viabilidade do projeto de construção
segunda-feira, 13 de março de 2023
Processo da Bioconstrução A Casa Criana - Lavantamento Topográfico
domingo, 12 de março de 2023
Relato do parto da Isaura (II)
Eram perto das 4h da manhã quando chegámos ao hospital das Caldas da Rainha, devido a hora foi fácil estacionar.
Disse ao pai Christophe que iria andar desde o estacionamento até à entrada do hospital, mas recordo-me que as dores lombares já eram bem fortes e aquele caminho pareceu-me uma eternidade.
Chegámos às urgências, demos logo entrada e subimos até a maternidade. Aquele corredor da sala de espera da maternidade que tão bem conhecemos estava vazio e silencioso. Não havia ninguém na triagem, toquei a campainha e nada, o tinha pedido ao pai Christophe para ir buscar um café ao fundo do corredor. Passado algum tempo, voltei a tocar a campainha, apareceu uma enfermeira, entramos para a triagem, era notório que já tinha iniciado o trabalho de parto.
Pouco tempo depois fui observada pelo médico da urgência, estava com três dedos de dilatação. Apenas três dedos e já estava há quase 9h com contrações, imaginei que iria ser um longo dia.
Fomos fazer um CTG as contratações já tinham espaçado mais um pouco, foi colocado o cateter e demos entrada para um "quarto". As enfermeiras foram muito atenciosas e preocupadas, perguntaram se tinha plano de parto e pediram-me, começaram a ler e conversamos sobre o que era possível ou não fazer (nada garante que possamos seguir o plano a risca). Por exemplo, era impossível fazer a monitorização portátil, para poder ser livre de movimentos, pois não tinham nenhum aparelho móvel de CTG.
Já no "quarto" , cada vez que vinha uma contração, tentava ao máximo lembrar das respirações e executa-las.
Dancei, já tinha preparado uma play list de músicas, estive na bola de pilates fiz novamente meditações de preparação para o parto da Inês Nunes Pimentel e nem dei pelo dia nascer. O pai Christophe acabou por adormecer um pouco.
A enfermeira ia passando para saber se precisava de alguma coisa inclusive medicação para as dores. Há muito que já tinha decedido que queria (se fosse possível) um parto natural sem qualquer tipo de medicação, queria passar por essa experiência, por essa transformação (respeitando outras opiniões, até porque se passar por outra irei pedir epidural, só para sentir a diferença), por isso recusei sempre.
Por volta das 8h e pouco fui novamente observada pela nova equipa de enfermagem. Eu que tinha pensado em ir para o hospital só quando tivesse com o parto mais evoluído, (para evitar que pudessem apressar, o que nunca aconteceu), mas o facto de ser a primeira gravidez e de estar a mais de meia hora da maternidade fez com que fosse cedo para lá, estava há 4h ali sem muito liberdade de movimentos, pois tinha que estar ligada ao aparelho de monitorização do bebé e minha e apenas estava com seis dedos de dilatação.
A enfermeira colocou-me a soro para me hidratar e trouxe-me um chupa chupa para me dar alguma energia, até há hora de almoço não me recordo do tempo passar apenas que nasceram três ou quatro crianças nessa manhã, o "quarto" tinha as paredes da espessura de um cortina.
As contratações aumentavam de intensidade e diminuía o intervalo entre elas, o Christophe ajudava-me ao fazer massagens na lombar, e nos exercícios de respiração. Pedi um saco de água quente e com a ajuda da bola experimentava posições que me deixasse mais confortável. Era 17h e pouco lembro-me de ter uma contração que nunca mais acabava, o Christophe chamou a enfermeira, ela perguntou se podia observar e assim que ela vai fazer o toque, arrebentaram as águas, foi um enorme alívio.
A partir dali pensei que faltasse pouco pois já estava com oito dedos de dilatação, a enfermeira deu-me um calipto para me dar energia, ajudou.
Algum tempo depois e com as contratações cada vez mais fortes, comecei a sentir aquela sensação de quando estamos prestes a desmaiar, a ouvir tudo muito ao longe e não sentia as contrações, mesmo quando no CTG ela estava bem presente. Estava a viver a partolândia (que já tinha lido sobre tal, no livro da enfermeira Carmen "Nascemos! E agora?"), era o meu corpo a dar-me analgésicos naturais e endógenos, nada mais, nada menos que um cocktail de endorfinas, hormonas associadas ao bem estar, e a ocitocina. Mas por vezes vinha uma contração que me lembrava que estava prestes a parir.
Não sei que horas eram, quando chamamos a enfermeira para me observar novamente, e quando ela nos disse que já via o cabelo do bebé, pensei estava perto de o conhecer.
Coloquei-me de lado para tentar ajudar o bebé a posicionar-se melhor para sair, mas não estava a conseguir, a enfermeira perguntou-me se queria ir até a sala de partos pois a posição e poder agarrar para fazer força poderia ajudar, disse que sim, já estava a ficar cansada de tantas horas. (Continua)
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023
Relato do parto da Isaura (I)
Já tínhamos passado o suposto dia do parto, 4 de Fevereiro (40 semanas), tenho que admitir que cada dia que passava a ansiedade aumentava, já não podia ouvir o telemóvel tocar, e perguntarem "Então ainda nada, já passou o tempo", partilhei com o Christophe essa ansiedade até porque deu comigo a chorar, haveria algo de errado para não ter sinais de parto?! Não, simplesmente o bebé ainda não estava pronto para nascer.
Era terça-feira dia 7, fui dar um passeio matinal como era habitual nos últimos tempos, enquanto o Christophe estava a reconstruir o telhado da tiny house, nesse passeio já senti mais dificuldade e dores lombares, mas nada demais.
Almoçamos e à tarde, deitei-me um pouco no sofá a descansar, enquanto fazia um brinquedo para o bebé em Amigurumi. A meio da tarde fui andar um pouco pelo terreno, havia algo em mim diferente dos outros dias, mas nada de grandes sinais.
Ao final da tarde, comecei a arrumar o ninho, até o pai Christophe comentou "Só falta arrancar pêlo" como muitas mães na Natureza fazem para receber a sua cria.
Por volta das 19:30 começaram as contrações, uma dor forte na lombar e que irradiava para a parte frontal, fomos jantar e recordo-me que enquanto jantava pensava que seria o última última refeição ali à mesa de grávida. Tudo o que fazia vinha esse pensamento.
Comecei a monitorizar às 21:39 quando fui deitar no sofá e vi que cada vez eram mais frequentes, estavam com cerca de 8min de intervalo.
Era meia noite e pouco e o Christophe perguntou o que queria fazer, disse-lhe para ir descansar que ficava ali no sofá a lareira mais um pouco se fosse preciso iria acorda-lo. Por vezes as contrações aumentava os intervalos de tempo entre elas, estavam bastante irregulares.
Fui tirar a última foto de grávida em frente ao espelho e senti saudades daquela barriguinha.
Eram 3 e pouco da manhã e o intervalo entre elas diminuía, fui acordar o Christophe, até ao hospital das Caldas da Rainha ainda tínhamos cerca de 35min, foi a viagem mais longa que fiz até lá, mesmo aquela hora sem trânsito.
Ana 💚
Processo da Bioconstrução A Casa Criana - Como surgiu a ideia...
A ideia da Bioconstrução da Casa Criana surgiu no seguimento do projecto Criana.
O projecto Criana nasceu em 2016, da vontade minha e do Christophe mudar o nosso estilo de vida até então. Somos um jovem casal da década de 80 em que vivemos a era que deixou-se de pensar no ser para se pensar em ter, cada um tinha que ter mais ou tanto que o vizinho… Passamos a fase da crise dos anos 2008, em que afetou muitas famílias e a própria sociedade… Estávamos na fase em que o consumo de bens, desrespeito pelo outro, a ganância, a procura de sempre mais aumentou de uma forma exponencial.
Nós jovens adultos deparamos com um mundo em que o dinheiro vale mais que as pessoas, em que o respeito pela Natureza perdeu-se nos nossos bisavós, passamos de não ter nada (nossos avôs) a ter tudo, ou trabalhar arduamente para o ter (nossos pais), éramos uma sociedade com um futuro pouco risonho, engolida pelo consumo e sem olhar a meios para atingir os seus fins.
Em 2016, estávamos a morar um apartamento de familiares, na Praia da Areia Branca, ambos trabalhávamos, eu numa grande cadeia de Bricolage e o Christophe era temporário no sector da restauração, havia meses que conseguíamos fazer umas pequenas poupanças, mas no mês seguinte acontecia algo que lá se iam as poupanças. Fartos desta vida monótona, escrava e precária decidimos mudar de vida.
Nesse mesmo apartamento fomos pesquisando e lendo sobre um estilo de vida mais simples e ligado a Natureza.. O nosso primeiro livro sobre agricultura selvagem (Revolução de uma Palha) fez-nos ver a vida de outra forma, uma vida pura, na base da partilha, do respeito, em sintonia com a Natureza e toda a sua envolvente… Cuidarmos de nós, dos outros e da natureza enquanto escrevemos a nossa passagem por aqui… Começamos por criar um viveiro de plantas no apartamento, era tão gratificante germinar uma semente e acompanhar o seu desenvolvimento.
Daí surgiu a nossa vontade de fazer o nosso projeto de vida, muito foi pensado, desenhado, projetado num apartamento à beira mar…
Tínhamos como objetivo a criação de um projeto baseado na permacultura, agricultura natural, regenerativa, em que trabalhássemos a regeneração do solo, aproveitando os recursos locais para a Bioconstrução do que veria a ser hoje o nosso ninho, A Casa Criana.
Obtivemos um terreno numa pacata aldeia, Casal da Lage, pertencente à freguesia dos Campelos e Outeiro da Cabeça, inserida no município de Torres Vedras.
Terreno esse, maioritariamente argiloso e com cerca de 15% de inclinação, em tempos tinha tido vinha e algumas árvores de fruto, quando o adquirimos não tinha vida quase nenhuma, apenas sobraram algumas videiras, uma casinha de apoio.
Com esta nova visão do mundo que nos rodeia e a pensar no futuro, fazia todo o sentido utilizar na construção da Casa Criana, os recursos mais próximos possíveis, para que a pegada carbónica e os resíduos resultantes da construção fossem mínimos.
Então começamos a fazer toda uma pesquisa e estudo sobre a Bioconstrução, quais seriam as possibilidades e como poderíamos executa-las.
Não tem sido um processo nada fácil, mas tem sido muito gratificante.




















