quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Agricultura Biodinâmica

Agricultura Biodinâmica - imagem google


A agricultura Biodinâmica junta os conhecimentos químicos, geológicos e astronómicos, destacando assim uma metodologia de trabalho na terra relacionada com os processos vivos e as forças de mudança, como por exemplo as estações do ano e os movimentos lunares.

Este método agrícola ficou conhecido em 1924 pelo Dr. Rudolf Steiner e dando, portanto, importância à relação entre a terra e as forças da natureza, terrenas e cósmicas.


Na agricultura Biodinâmica é necessário viver os processos naturais, utilizando a observação, pensamento e percepção.



Exemplo de calendário Biodinâmico - imagem google

Calendário biodinâmico baseia-se na movimentação da Lua em redor da Terra e na sua passagem através das doze regiões do Zodíaco. Durante o processo, esse corpo celeste transmite forças cósmicas à Terra e aos diferentes seres que nela habitam. Em cada um desses dias, as plantas recebem estímulos cósmicos que actuam sobre o desenvolvimento dos seus órgãos (raiz, caule, folhas, flores e frutos) e que manifestam benefícios sobre eles.

Podemos consultar o calendário biodinâmico Português [veja aqui].


"A agricultura é o fundamento de toda a cultura, ela tem algo haver com todos".
(Rudolf Steiner)




terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Agricultura Selvagem (método Fukuoka)

Massanobu Fukuoka - Pai da agricultura Selvagem (imagem google)

Massanobu Fukuoka, biólogo, trabalhou num laboratório na pesquisa de produtos químicos para combater as pragas que dominavam várias culturas no Japão. Em 1960, resolveu abandonar essa actividade, onde aprendeu ensinamentos fundamentais, e dedicou-se a demonstrar que é possível conseguir colheitas de qualidade em quantidade.

Fukuoka defende que a camada superficial do solo é a mais fértil, onde se encontram os nutrientes que a grande parte das plantas utiliza para o seu crescimento, é a zona mais rica em sais minerais e produtos orgânicos.
Fertilidade essa que não é mais que a acumulação, prolongada no tempo, de nutrientes trazidos pela chuva e ventos, dando origem a uma cobertura vegetal pelo trabalho de um numero elevado de seres vivos. O Homem ao lavrar a terra destrói essa cobertura rica em húmus, destruindo o habitat de imensos seres vivos que ajudam na fertilidade do solo, levando assim à erosão dos solos, pela chuva e vento.

Se Natureza procura e gera equilíbrios, Fukuoka defende a não utilização de fertilizantes químicos nem compostos preparados, não cultivar a terra, ou seja, não desfazer a protecção vegetal do solo, não mondar a terra nem mecanicamente nem quimicamente, a independência de produtos químicos.

Defende a sementeira directa na terra, cobrindo as sementes de forma aleatória com palha inteira, protegendo-as de predadores, mais tarde a palha apodrece transformando em matéria orgânica para o solo, daí o titulo do livro escrito pelo mesmo "A Revolução de uma Palha" já mencionado por nós anteriormente.


"A cultura verdadeira nasce com a Natureza, é simples, humilde e pura"
(Massanobu Fukuoka)







segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Agricultura Natural



Mokiti Okada (pai da agricultura Natural) - imagem google

Em 1931, em alternativa a agricultura convencional, Mokiti Okada desenvolveu a agricultura Natural que considera o solo como principal fonte de vida.

A partir da Primeira Grande Guerra Mundial, e com a escassez de alimentos impulsionou a produção agrícola em larga escala e em pouco tempo, o que fez com que houvesse um impacto ambiental devastador.

Este método de agricultura defende que a Natureza no seu estado puro manifesta o seu poder do solo (vitalidade, capacidade, propriedade e funcionalidade) eliminando assim o uso de adubação animal, do controlo de pragas através de químicos e o uso de sementes alteradas.

A agricultura Natural sugere a mínima alteração nos ecossistemas, evitando ao máximo modificar a sua composição, apenas usa compostagem natural (folhas, troncos. etc) e utilização de microrganismos do solo.

Na prática, na agricultura Natural para tornar a exploração agrícola duradoura e racional recorre ao principio da reciclagem de recursos naturais e microrganismos do solo para o enriquecimento de nutrientes no solo, oferecendo protecção natural para diversas doenças e uma alimentação rica em nutrientes para a planta, dando o verdadeiro sabor aos alimentos.


“Quando apanho uma folha seca caída no chão, sinto nela a indiscutível Lei do Ciclo da Vida.”(Mokiti Okada)



domingo, 28 de janeiro de 2018

Agricultura Convencional / Industrial


Nos dias de hoje é utilizada uma agricultura convencional/industrial à escala global, recorrendo a pesticidas, herbicidas e adubos químicos.

Os vegetais que chegam hoje às nossas mesas adquiridos numa superfície comercial a preços mais baratos são provenientes de uma monocultura intensiva. Muitas vezes os preços de agricultura biológica chegam a duplicar, apesar de tentamos ao máximo comprar biológico, para os ordenados de hoje em dia, nem sempre é possível. Mas mesmo que não seja biológico, pelo menos português.

Para as monoculturas intensivas, os agricultores são obrigados a utilizarem certos tipos de herbicidas (para controlarem as infestantes), adubos (para a planta crescer a um ritmo mais rápido) e pesticidas (para controlarem as pragas).

O uso intensivo dos solos com produtos químicos, faz com que se esgote de nutrientes naturais e as plantas começarem a absorver só produtos químicos. A rapidez da sua produção faz com que a própria planta não tenha tempo para filtrar os químicos. A necessidade de satisfazer a procura mundial fez disparar os preços das culturas o que fez com que os agricultores queiram tirar mais rendimento num curto prazo de tempo. Mas deixa-os dependentes de químicos prejudiciais à saúde por muitos anos.

As alternativas optadas já por muitos agricultores são as seguintes: a agricultura natural, método Fukuoka, agricultura biodinâmica, ecológica, permacultura, bosque de alimentos e agrofloresta.
No nosso projecto iremos utilizar um pouco de cada uma das alternativas apresentadas, conjugadas com alguns animais e casa de habitação.


"A agricultura é a arte de saber esperar"
(Riccardo Bacchelli)




quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

O Viveiro




Um viveiro não é mais do que um "berçário" de plantas, para a sua multiplicação, pode ser de sementes, mudas ou ambas. 

Um dos métodos utilizados para a sua multiplicação são as mudas através de estacas de caule, raízes ou folhas que, plantados num ambiente húmido, desenvolvem novas plantas. Temos que ter em conta o tipo de espécie que iremos fazer estacaria, pois quanto maior for o porte da planta mais alto deve ser o vaso. O substrato utilizado em estacaria deve ser um substrato rico em nutrientes para quando as raízes crescerem a planta ter logo alimento. Nas mudas por caule devemos ter atenção em ter no mínimo três nós, os nós que não estão enterrados constituem novos pontos de rebentação, nos enterrados irá nascer as novas raízes.


As sementes podem ser colocadas em vasos ou em tabuleiros específicos para tal (sementeira), os melhores tabuleiros para nós são os que tem estrias verticais interiores, para conduzirem a raiz no sentido correcto, proporcionando um perfeito desenvolvimento radicular, aquando a inexistência de estrias as raízes tendem a enrolar e atrofiar o crescimento da planta. Os tabuleiros mais rígidos tem uma durabilidade superior, são um pouco mais caros mas podem ser reutilizados durante mais tempo. Os menos rígidos tendem a partir aquando a muda da planta.


Podemos utilizar imensas sementeiras (vasos, cascas de ovo, caixas de ovos, embalagens tetra pak, etc) desde que o recipiente esteja perfurado, não se decomponha com alguma facilidade nem com a água (para algumas plantas não pode ser transparente). O substrato utilizado para as sementeiras, deverá ser especial para germinação, pois a própria semente tem nutrientes suficientes para a alimentar até formar raízes, se o substrato for muito rico em nutrientes a semente poderá ficar "adormecida". O processo de germinação poderá ser diferente para algumas sementes.



A vantagem de fazermos o nosso próprio viveiro é a possibilidade de conhecer a planta onde retiramos a estaca ou semente e de ser mais económico. Para o nosso projecto iremos precisar de várias espécies de árvores (azinheiras, carvalhos, sobreiros, jacarandás, pinheiros, alfarrobeiras, sabugueiro, avelaneira, castanheiro entre outras) e arbustos (crataegus, amoras, olaias). No Outono recolhemos as estacas e sementes e neste momento já estão a crescer no viveiro do apartamento. Na varanda estão as mudas e algumas ervas aromáticas, na marquise estão as sementeiras. Para nós é sempre uma alegria ver uma semente germinar, dá-nos a responsabilidade de fazer crescer uma planta.

"Uma árvore que cai faz mais barulho do que uma floresta que cresce"
(Papa Francisco)

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

O Solo


No  nosso concelho - Torres Vedras, os solos calcários destacam-se especialmente mais a sul do concelho. Nestes tipos de solos existe a falta de alguns nutrientes "solos pobres", logo o crescimento de qualquer ser vivo é afectado. No entanto com praticas de regeneração da terra, podem tornar mais "ricos. 

Mais para a zona costeira existem os arenosos, são solos que possui uma textura leve e granulosa. Essa textura faz com que sequem rapidamente. Devido há insuficiência de nutrientes e à sua elevada acidez possuem pouca fertilidade e tem forte tendência à erosão, necessita de alguns cuidados para produção agrícola.

Os solos argilosos são também representativos do concelho, são solos mediterrâneos, amarelos ou vermelhos. Este tipo de solo caracteriza-se por húmido e macio, composto por argila, alumínio e ferro. Após a chuva, os terrenos absorvem bastante água, ficando encharcado. Por outro lado, na época de seca, tende a formar uma camada dura e pouco arejada no terreno.

Exemplo de tipos de argila no terreno

No terreno do projecto domina maioritariamente o solo argiloso (zona de menor declive), havendo sítios onde a incidência de areia é mais relevante (zona de maior declive). Este solo sendo um "solo pobre", teremos de aplicar várias técnicas regenerativas, entre as quais a criação de biomassa para "alimentar" a terra de nutrientes e a criação de charcas naturais para retenção de mais águas e biodiversidade. 

É preciso olhar para além daquilo que se vê
(Rafiki)









segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Levantamento Topográfico do terreno



Para a execução deste projecto, a primeira etapa foi solicitar um serviço de levantamento topográfico do terreno.



O levantamento topográfico tem como principal objectivo representar graficamente em planta, todas as características do terreno, incluindo as curvas de nível, relevo, perfil longitudinal, cálculo da área, pontos cotados entre outros detalhes. Este levantamento é importante para qualquer projecto, pois um erro pode resultar numa falha de execução do mesmo.

Relevo e curvas de nível  (imagem google)


Mais tarde iremos utilizar as curvas de nível para a plantação das árvores e o arquitecto da casa irá precisar também dele para poder projectar a casa.
Por isso aconselhamos sempre um levantamento topográfico antes do inicio de qualquer projecto.


“Vale mais investir um pequeno valor para ter a certeza do que investir um grande valor na incerteza”.


domingo, 21 de janeiro de 2018

Passeio pela Floresta


Hoje foi dia de passear numa Floresta Portuguesa, onde pudemos observar Carvalhos, Azinheiras, Sobreiros, Ciprestes, Eucaliptos e outros pequenos e médios arbustos, algumas dessas árvores são centenárias.
Observamos imensas bolotas a germinarem debaixo de um manto de folhas em decomposição, que aproveitamos para recolher para trazermos para a nossa "estufa" no apartamento, para mais tarde podermos colocar no nosso terreno.


Nesta Floresta onde o Homem ainda não interveio, ainda existe todo um ambiente tranquilo, de renovação e esperança, nesta altura do ano começam as germinar algumas sementes , os novos rebentos, toda uma nova vida se começa a formar para um novo ciclo.

Na aldeia dos avôs, os Castanheiros despidos de todas as suas folhas e cheios de novos rebentos, dão a esperança para um ano de melhor produção. Poucos são os Castanheiros que encontramos nesta zona, mas uma coisa é certa, eles gostam deste clima de bastante frio...



A avó e uma vizinha, contam que nesta zona há alguns anos, abundava as Cerejeiras, de dia as mulheres apanhavam as cerejas e ao serão as mesmas eram calibradas e colocadas em caixas para depois irem para a venda no mercado. Hoje em dia as cerejeiras já quase não existem nas redondezas. Os avós acabaram por retira as ultimas que tinham, pois já tinham imensa idade e os pássaros com falta de comida, por causa das monoculturas, perdeu-se uma grande biodiversidade para a alimentação natural para os pássaros.

As extensas vinhas preenchem muitos dos terrenos envolventes à aldeia, antigamente a vindima era feita por homens e mulheres da terra e não só, hoje em dia é quase toda mecanizada, nesta zona já quase não existe mão de obra na agricultura. A poda ainda continua a ser manual, mas já poucos sabem fazer. As vides e cepas velhas servem para fazer o almoço que tanto gostamos, frango assado lentamente com um molho que só a avó sabe fazer...




Foi um dia passado em pleno convívio com a Natureza, não tanto como há uns anos atrás, pois muitas florestas nesta zona fora cortadas para darem lugar a vinhas e a pomares de fruta. Mas sempre na esperança que continuem a existir lugares como este.

No fim do dia, colocamos as bolotas dentro de vasos para continuarem a sua germinação até irem para a terra definitivamente.


A natureza não faz nada em vão. 

(Aristóteles)


sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

A Revolução de Uma Palha (Masanobu Fukuoka)

"O agricultor tornou-se atarefado demais quando começámos a estudar o mundo e a decidir que seria bom fazer isto ou fazer aquilo. Toda a minha pesquisa se baseou em não fazer isto ou não fazer aquilo. Estes trinta anos ensinaram-me que os agricultores estariam numa situação bem melhor se não fizessem praticamente nada."


 
Masanobu Fukuoka

O livro foi lançado em 1975 e impressiona pela contribuição de muitos conceitos para a Permacultura, as técnicas utilizadas e descritas por Fukuoka em 1960 ainda se prolongam pelos tempos actuais, e demonstram uma forma de cultivo em maior harmonia com a natureza, feito a partir dos seus conhecimentos e descobertas ao longo de mais de 30 anos, essa aprendizagem foi partilhada com todos os alunos que visitaram na sua propriedade.
O sua propriedade na pequena aldeia da ilha de Shikoku, no sul do Japão ficou conhecida em todo o mundo por causa da sua alta produção e qualidade agrícola dos vegetais e pela preservação do solo. O metro quadrado de uma produção de Fukuoka era mais produtiva do que todas as outras plantações industriais de alta tecnologia. Não utilizava qualquer tipo de máquinas, pesticidas e adubos químicos, também não se lavrava a terra.

Tendo como base que curar a terra e purificar o espírito humano são a mesma coisa, este livro fez com que mudássemos as nossas atitudes perante a Natureza, a agricultura e a alimentação.
Aconselhamos a leitura deste livro, não para uma mudança radical de prespectiva de agricultura convencional, mas para consciencialização de que é possível com um pouco de terra maximizar as produções respeitando a mesma e a natureza.



quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

O Projecto Criana


O Projecto Criana nasce da vontade do Christophe e Ana de criarem um projecto Agroflorestal num terreno (cerca de 14000m2), que irá ser dividido em várias zonas, de floresta, agrofloresta, floresta de alimentos e horta biológica nas bases de conceito da agricultura biologica, regenerativa e permacultural.
Com este blog, queremos dar a conhecer o nosso projecto e partilhar ideias sobre as diversas temáticas envolventes à permacultura, agrofloresta e construções sustentáveis.

Cristophe e Ana